Quarta-feira, 26 de Outubro de 2005

Esdrúxulas com divergências (2)

Vimos que existem divergências nas actuais ortografias de Brasil e Portugal dalgumas palavras esdrúxulas ou proparoxítonas. Estão bem identificadas tais palavras. A antepenúltima sílaba termina em “e” ou “o”, a que segue um “m” ou um “n”. Servem de exemplos “cômodo” e “prêmio” na ortografia brasileira correspondentes a “cómodo” e “prémio” na ortografia portuguesa.

Vimos também que algumas esdrúxulas são aparentes. Como “prémio”, acabam num ditongo crescente.

O acordo ortográfico estabelece o seguinte para estas palavras:

Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/tônicas grafadas e ou o estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais grafadas m ou n, conforme o seu timbre é, respetivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua:
académico/ acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/ fenômeno, género/gênero, topónimo/topônlmo; Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/blafêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmea, génio/gênio, ténue/tênue.

Traduzindo isto em linguagem mais corrente, se o “e” ou “o” da sílaba tónica é aberto leva acento agudo; se for fechado, leva acento cicunflexo. Quer dizer, existem grafias duplas para estes casos.

Do texto do acordo atrás citado consta a palavra “fémea”. Não a encontrei em nenhum dicionário. Também nunca a ouvi. Parece-me que no caso de “fêmea” não existe nenhuma ortografia dupla.

O texto do acordo está escrito na ortografia que ele estabelece. No caso de grafias duplas, as duas são usadas, com uma barra a separá-las. Assim, a Base X tem o titulo “Da acentuação das vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas”. Repare-se no par “tónicas/tônicas” deste título.

Continuaremos com este assunto, que tem muito para contar.

João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 10:11
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Hino nacional de Portugal

O hino nacional de Portugal é “A Portuguesa”, que tem letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil

--- Letra de “A Portuguesa” ---

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

--- História do hino ---

“A Portuguesa” nasceu como uma canção de cariz patriótico em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas posições em África, no denominado "Mapa cor-de-rosa", que constava de territórios que ligavam Angola e Moçambique.

Tornou-se hino nacional com a implantação da república, substituindo o “Hymno da Carta”.

A música e a letra de “A Portuguesa” sofreram alterações ao longo do tempo. Onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses. Veio substituir o “Hymno da Carta”, o hino da monarquia.

Em 1956 existia mais de uma versão do hino. Por isso, o governo nomeou uma comissão encarregada de estudar uma versão oficial de “A Portuguesa”. Essa comissão elaborou uma proposta que seria aprovada em Conselho de Ministros a 16 de Julho de 1957, mantendo-se o hino inalterado deste então.

A letra do hino oficial não inclui todo o poema de Henrique Lopes de Mendonça, o qual é apresentado a seguir.

--- Letra completa de “A Portuguesa” ---

I

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

II

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu

Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d`amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.

Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

--- Gravação do hino nacional ---

Pode obter-se uma gravação do hino nacional a partir da página da Internet com o endereço http://www.presidenciarepublica.pt/pt/noticias/2003/hino

--- “Hymno da Carta” (hino monárquico) ---

Ó Pátria, Ó Rei, Ó Povo, Ama a tua Religião Observa e guarda sempre Divinal Constituição

(Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição

Ó com quanto desafogo Na comum agitação Dá vigor às almas todas Divinal Constituição

(Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição Venturosos nós seremos Em perfeita união Tendo sempre em vista todos Divinal Constituição

(Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição

A verdade não se ofusca O Rei não se engana, não, Proclamemos Portugueses Divinal Constituição

(Coro) Viva, viva, viva ó Rei Viva a Santa Religião Vivam Lusos valorosos A feliz Constituição A feliz Constituição

A Carta a que se refere este hino é a Carta Constitucional que o rei D. Pedro IV, que foi também o imperador D. Pedro I do Brasil, outorgou, isto é, deu ou concedeu, aos portugueses. D. Pedro foi também o autor do “Hymno da Carta”, que se tornou oficialmente “Hymno nacional” em de Maio de 1834.
publicado por João Manuel Maia Alves às 10:02
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005

Esdrúxulas com divergências

Continuemos a falar das palavras esdrúxulas ou proparoxítonas, isto é aquelas que, como “máquina” ou “série”, têm o acento tónico na antepenúltima sílaba.

Já vimos que há esdrúxulas aparentes. Terminam em ditongo crescente, como “ia” ou “ua”. Serve de exemplo de esdrúxula aparente a palavra “contínuo”.

Vimos também que as esdrúxulas levam sempre acento na sílaba tónica, a antepenúltima. Esse acento pode ser agudo ou circunflexo.

O acento duma palavra esdrúxula indica a sílaba tónica, mas tem outra função. Assim, em “sólido” indica que o “o” é aberto e em “sôfrego” que é fechado.

Existe um certo número de esdrúxulas com problemas. Estão bem identificadas. A antepenúltima sílaba termina em “e” ou “o”, a que segue um “m” ou um “n”. Serve de exemplo “sêmea”, “sê-me-a” na divisão silábica.

Neste grupo de palavras esdrúxulas existem divergências nas actuais ortografias de Brasil e Portugal. Os brasileiros escrevem “cômodo”, “tônico”, “polinômio”, “polêmica”, “higiênico” e “prêmio” ao passo que nos outros países se usam as grafias “cómodo”, “tónico”, “polinómio”, “polémica”, “higiénico” e “prémio”.

O que é que o acordo ortográfico estabelece para estas esdrúxulas com divergências? É o que veremos noutro artigo.


João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 16:21
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Sábado, 15 de Outubro de 2005

Hino nacional de Moçambique

Pátria Amada é o hino nacional de Moçambique, que tem a letra que se segue.

Pátria Amada

Na memória de África e do Mundo
Pátria bela dos que ousaram lutar
Moçambique, o teu nome é liberdade
O Sol de Junho para sempre brilhará

(2x)

Moçambique nossa pátria gloriosa
Pedra a pedra construindo um novo dia
Milhões de braços, uma só força
Oh pátria amada, vamos vencer
Povo unido do Rovuma ao Maputo
Colhe os frutos do combate pela paz
Cresce o sonho ondulando na bandeira
E vai lavrando na certeza do amanhã

(2x)

Moçambique nossa pátria gloriosa
Pedra a pedra construindo um novo dia
Milhões de braços, uma só força
Oh pátria amada, vamos vencer
Flores brotando do chão do teu suor
Pelos montes, pelos rios, pelo mar
Nós juramos por ti, oh Moçambique
Nenhum tirano nos irá escravizar

(2x)

Moçambique nossa pátria gloriosa
Pedra a pedra construindo um novo dia
Milhões de braços, uma só força
Oh pátria amada, vamos vencer

--- Hino nacional antigo ---

Viva, Viva a FRELIMO foi o hino nacional de Moçambique de 25 de Junho de 1975, data em que o país se tornou independente, até 30 de abril de 2002. A música é da autoria do Maestro Justino Sigaulane Chemane na década de 1970, em celebração da FRELIMO, Frente de Libertação, que levou o país à Independência. Em 1992, a letra foi retirada com a democratização do país. O parlamento então fez um concurso para a escolha de nova letra. O resultado é o hino actual, Pátria Amada. Esta era a letra do hino antigo

Viva, viva a FRELIMO

Viva, viva a FRELIMO,
Guia do Povo Moçambicano!
Povo heróico qu' arma em punho
O colonialismo derubou.
Todo o Povo unido
Desde o Rovuma até o Maputo,
Luta contra imperialismo
Continua e sempre vencerá.

Refrão:
Viva Moçambique!
Viva a Bandeira, simbolo Nacional!
Viva Moçambique!
Que por ti o Povo lutará.

Unido ao mundo inteiro,
Lutando contra a burguesia,
Nossa Pátria será túmulo
Do capitalismo e exploração.
O Povo Moçambicano
De operários e de camponeses,
Engajado no trabalho
A riqueza sempre brotará.

Refrão
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:11
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005

Esdrúxulas reais e aparentes

O ultimo artigo fala de esdrúxulas reais e aparentes? Quando é que uma palavra é uma esdrúxula real? Quando é que é uma esdrúxula aparente?

Uma esdrúxula aparente termina com um ditongo crescente. Um ditongo é um conjunto de duas vogais que se pronunciam numa única emissão de voz, como, por exemplo “ói” em “dói” e “ão” em “mão”. Ditongos descrescentes são aqueles em que a primeira vogal é mais saliente que a segunda. Serve de exemplo “oi” “em moita”. Nos ditongos crescentes sucede o contrário – a segunda vogal sobressai relativamente à primeira.

O acordo ortográfico dá na sua Base XI vários exemplos de palavras esdrúxulas aparentes, isto é terminadas em ditongos crescentes: álea, náusea, etéreo, níveo, enciclopédia, glória, barbárie, série, lírio, prélio, mágoa, nódoa, exíguo, língua, vácuo, amêndoa, argênteo, côdea, Islândia, Mântua, serôdio, Amazónia, António, blasfémia, fêmea, gémeo, génio, ténue. Reparemos numa delas – “génio”, por exemplo. Se “io” é um ditongo, pronuncia-se numa só emissão de voz – caso contrário não era ditongo. Então “nio” é uma sílaba e a palavra é grave, não esdrúxula, e não deve levar acento. Na realidade, considera-se “nio” formado de duas sílabas: ni-o. Daqui resulta que “génio” é esdrúxula – esdrúxula aparente, mas esdrúxula e, sendo esdrúxula, necessita de acento.

Em português para a divisão de sílabas um ditongo crescente é dividido. “Domínio”, por exemplo, tem as sílabas “do-mí-ni-o”, o que faz da palavra uma esdrúxula. Um ditongo crescente é ditongo e não é. É ditongo na pronúncia. Não é ditongo para a divisão silábica. É e não é. Confuso? Bastante, mas é como é e não tem conserto.

Esdrúxulas reais são palavras que não são esdrúxulas aparentes, como, por exemplo , “matemática”, que tem a divisão silábica “ma-te-má-ti-ca”.

Em espanhol o ditongo crescente é tratado com muito mais lógica. Não é partido ao meio na divisão silábica. Por isso, não necessitam de acento palavras como “Antonio”, que tem o acento tónico na sílaba “to”. “Antonio” em espanhol é uma palavra grave. A palavra espanhola “policía” precisa de acento porque o acento tónico cai sobre o último “i”.

Se seguíssemos as regras do espanhol em relação a este assunto dos ditongos crescentes teríamos várias vantagens. Diga-se, aliás, que os espanhóis souberam tomar a tempo medidas quanto à ortografia de se lhes tirar o “sombrero” (chapéu em espanhol para quem não saiba). Se nós tivéssemos feito o mesmo no tempo oportuno teríamos evitado muitos problemas. Veremos isso em próximo artigo.

João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 20:43
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