Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

Acento diferencial

Vimos num artigo anterior que o acordo ortográfico faz desaparecer os acentos das palavras “pára”, “péla”, “pélas”; “pélo”, “pólo” e “pólos”. São acentos diferenciais. O de “pólo” serve para distinguir esta palavra de “polo”, termo antigo com o significado de “pelo”.

O acordo esqueceu o trio “pêra” (nome de fruto), “péra” (palavra antiga que significa “pedra”) e “pera” (preposição antiga que significava o mesmo que “para”). Logicamente também deverão desaparecer os acentos de “pêra” e “péra”.

Depois de alterações introduzidas em Portugal e colónias em 1945 e no Brasil em 1971, o acento diferencial quase não existe. O acordo ainda reduz mais a sua ocorrência.

Depois de o acordo entrar em vigor o acento diferencial ficará reduzido a:

1) Acento obrigatório - no verbo “pôr” e em “pôde”

2) Acento facultativo - em “fôrma”, em “dêmos”, forma do conjuntivo do verbo “dar” e em palavras como “falámos”.

Não percebo a necessidade de acento em “dêmos” e em “fôrma”. O primeiro não se usa no Brasil ao contrário do que sucede em Portugal. O segundo só se usa no Brasil. Serão estes acentos o resultado de cedências mútuas como existem em todas as negociacões? Felizmente, são facultativos. Não espero usá-los.

Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 16:40
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

Hino nacional do Brasil

Letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870 - 1927)
Música de Francisco Manuel da Silva (1795 - 1865).

Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
de um povo heróico o brado retumbante,
e o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
conseguimos conquistar com braço forte,
em teu seio, ó liberdade,
desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
idolatrada,
salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
de amor e de esperança à terra desce,
se em teu formoso céu, risonho e límpido,
a imagem do cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
és belo, és forte, impávido colosso,
e teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,
entre outras mil,
és tu, Brasil,
ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
pátria amada,
Brasil!

Parte II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
ao som do mar e à luz do céu profundo,
fulguras, ó Brasil, florão da América,
iluminado ao sol do novo mundo!

Do que a terra, mais garrida,
teus risonhos lindos campos têm mais flores;
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida em teu seio mais amores.

Ó pátria amada,
idolatrada,
salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
o lábaro que ostentas estrelado,
e diga o verde-louro dessa flâmula
- paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
verás que um filho teu não foge à luta,
nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
entre outras mil,
és tu, Brasil,
ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
pátria amada,
Brasil!

História

A música do hino nacional do Brasil foi composta em 1822, por Francisco Manuel da Silva, para comemorar a independência do país. Essa música tornou-se bastante popular durante os anos seguintes e recebeu duas letras. A primeira letra foi produzida quando D. Pedro I (do Brasil, IV de Portugal) abdicou do trono e a segunda na época da coroação de D. Pedro II (do Brasil). Ambas as versões, entretanto, caíram no esquecimento.

Após a proclamação da república em 1889, um concurso foi realizado para escolher um novo hino nacional. A música vencedora, entretanto, foi hostilizada pelo público e mesmo pelo Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente. Esta composição ("Liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós!...") seria oficializada como Hino da Proclamação da República do Brasil, e a música original, de Francisco Manuel da Silva, continuou como hino oficial. Somente em 1906 foi realizado um novo concurso para a escolha da melhor letra que se adaptasse ao hino, e o poema declarado vencedor foi o de Joaquim Osório Duque Estrada, em 1909.

O hino nacional do Brasil pode ser obtido em versão instrumental ou coral a partir de
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hino_nacional_do_Brasil
publicado por João Manuel Maia Alves às 19:16
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2005

Acordo ortográfico – mais regras sobre acentos

Vejamos mais algumas regras de acentuação introduzidas pelo acordo ortográfico.

Mantém-se o acento circunflexo no verbo “pôr” para o distinguir da preposição “por”.

Mantém-se o acento na palavra “pôde”.

É facultativo o acento de “dêmos” (primeira pessoa do plural do presente do conjuntivo do verbo “dar”) ao passo que “demos” (primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do mesmo verbo) não leva nenhum acento.

É facultativo o acento das palavra “fôrma” e “fôrmas”, substantivos, distintas de “forma” e “formas”, com “o” aberto, substantivos e formas do verbo “formar”.

Deixa de levar acento a palavra “pára”, forma do verbo “parar”; a frase “pára para descansar” passará a escrever-se “para para descansar”.

Deixam de levar acento as palavras “péla” e “pélas”; o acento servia para as distinguir de “pela” e “pelas”, contracções de “por” com “a” ou “as”.

Deixam de levar acento as palavras “pélo”, do verbo “pelar” e “pêlo”, substantivo; o acento servia para as distinguir de “pelo”, contracção de “por” com “o”.

Deixam de levar acento as palavras “pólo” e “pólos”; o acento servia para as distinguir de “polo” e “polos”, palavra antigas que significavam “pelo” e “pelos”.

Deixam de levar acento palavras como“crêem”, “lêem, “vêem”, etc. Passaremos a escrever “creem”, “leem, “veem”, etc. Não confundir “veem”(actualmente vêem) com “vêm”, que se pronuncia “vẽem” e é forma do verbo “vir”.

Estas regras merecem alguns comentários, que ficam para outro artigo.

Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 16:29
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

Hinos nacionais dos países da CPLP

Este blogue vai publicar os hinos nacionais dos países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). São poemas em português que merecem ser conhecidos.

Os hinos serão publicados por ordem alfabética dos nomes dos países
publicado por João Manuel Maia Alves às 09:05
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Hino Nacional de Angola

Oh Pátria, nunca mais esqueceremos
os heróis do 4 de Fevereiro
Oh Pátria, nós saudamos os teus filhos
tombados pela nossa independência
Honramos o passado e a nossa história
construindo no trabalho o homem novo
Honramos o passado e a nossa história
construindo no trabalho o homem novo

Angola, avante!
Revolução, pelo poder popular
Pátria unida, liberdade
um só povo, uma nação.

Levantemos nossas vozes libertadas
para glória dos povos africanos
marchemos combatentes angolanos
solidários com os povos oprimidos

Orgulhosos lutaremos pela Paz
com as forças progressistas do Mundo
Orgulhosos lutaremos pela Paz
com as forças progressistas do mundo

Letra : Manuel Rui Monteiro
Arranjo Musical : Rui Vieira Dias Mingas


A expressão “4 de Fevereiro” refere-se a uma revolta em Luanda, com ataques à Casa de Reclusão, ao quartel da PSP e à Emissora Oficial de Angola, acção considerada como o início da luta armada em Angola. Teve lugar em 4 de Fevereiro de 1961.
publicado por João Manuel Maia Alves às 09:04
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005

Fim duma obrigação

Por que razão se coloca um acento agudo sobre um “a”? Umas vezes para o abrir, como em “pá”. Outras vezes, o acento, além de abrir o “a”, indica que a sílaba é tónica. É o caso de “rápido”. Vamos recordar que o acento agudo ainda tem outra função.

Sem fugir ao tema, qual o tempo de “fugimos”? Depende. Pode ser o presente, como em “fugimos agora antes que seja tarde”. Pode ser o passado, como em “fugimos há pouco dum incêndio”. Se se tratar dum verbo terminado em “ar”, como “andar”, a distinção de tempo das formas correspondentes a “fugimos”, faz-se por meio dum acento agudo. Escrevemos, por exemplo, “hoje andamos aqui a trabalhar” e “ontem andámos dez quilómetros a pé”.

O acento agudo em palavras como “andámos”, “viajámos”, “conversámos” nem sempre abre o respectivo “a”. Realmente, existem zonas de Portugal onde as pessoas dizem frases do género “ontem ‘andâmos’ dez quilómetros a pé”. Basta ouvir com atenção na televisão pessoas do norte de Portugal para vermos que assim é. Quer dizer, estas pessoas são obrigadas a pôr um acento agudo num “a” que tem uma pronúncia fechada!

Querem apostar que se nestes casos o “a” fosse fechado em Lisboa e Coimbra e aberto no Porto, o acento não se usava? Onde estão ou estavam as pessoas que têm decidido estas coisas? Em Lisboa e em Coimbra, considerando-se o modelo a seguir pelas pessoas das outras regiões.

Na minha opinião este acento é horroroso. Dizer “andâmos” e ter de escrever “andámos” acho uma imposição insuportável.

No Brasil este “a” da primeira pessoa do plural dos verbos terminados em “ar” é fechado como no norte de Portugal. Nota-se bem nas telenovelas. Não sei se é sempre fechado, mas nunca ouvi um brasileiro abri-lo. Na ortografia usada no Brasil o “a” não leva nenhum acento.

Os negociadores do acordo ortográfico resolveram esta questão tornando o acento agudo facultativo nestes casos. Talvez ele devesse simplesmente desaparecer, mas ter deixado de ser obrigatório em Portugal foi, na minha opinião, um progresso. Foi, a meu ver, o fim duma injustificada imposição.


Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 16:30
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2005

Acordo ortográfico – recapitulação

Vejamos as principais alterações introduzidas pelo acordo ortográfico já tratadas nos artigos anteriores.

-- Supressão de consoantes mudas --

São eliminados cês e pês não pronunciados. Exemplos: “exato”, “reto”, “batismo”, “Egito”. No Brasil a eliminação ocorreu há décadas.

-- Grafias duplas de palavras com consoantes de pronúncia oscilante --

Esta norma afecta principalmente cês e pês que umas vezes se lêem e outras não. Como exemplos de ortografias duplas temos “aspeto” e “aspecto”, “facto” e “fato”, “cato” e “cacto”, “omnipotente” e “onipotente”.

-- Palavras graves com o ditongo “ei” na sílaba tónica –

O “e” não leva acento se for aberto. Exemplo: “ideia” em vez de “idéia”. O acento só é eliminado no Brasil porque nos outros países já não se usa.

-- Palavras graves com o ditongo “oi” na sílaba tónica –

O “o” não leva acento se for aberto. Exemplo: “boia” em vez de “bóia”.

-- Palavras terminadas em “ôo” –

Eliminado o acento. Exemplo: “enjoo” em vez de “enjôo”. Só no Brasil o acento é eliminado pelo acordo. Nos outros países já não é usado.

-- Ortografias duplas para algumas (poucas) palavras graves e agudas

São exemplo “ténis” e “tênis, “fénix” e fênix, “guiché” e “guichê”
publicado por João Manuel Maia Alves às 14:06
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2005

Quando teremos em vigor o acordo ortográfico ?

Segundo notícia encontrada na Internet e tendo como origem o Ministério da Educação do Brasil, este país e Cabo Verde já ratificaram o 2º Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico. Falta assim, a ratificação de mais um país para o acordo entrar em vigor. Do que é que Portugal estará à espera para fazer a ratificação?

Segue-se a notícia.

Cabo Verde ratificou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

28/04/2005 16h40

Falta apenas a adesão de mais um país da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entre em vigor nos oito países que têm o português como língua oficial. O Brasil ratificou o 2º Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico, em outubro de 2004, e em abril de 2005 Cabo Verde também cumpriu essa exigência. O 2º Protocolo Modificativo, aprovado durante a 5ª Reunião de Ministros da CPLP, em Fortaleza (CE), em maio de 2004, e depois sancionado pelos chefes de estado e de governo da CPLP, em julho, permite que, com apenas a ratificação de três países da comunidade, o acordo passe a vigorar.

Facilidades - O acordo possibilita, entre outras facilidades, a criação de normas ortográficas comuns para as variantes da língua portuguesa, facilita a difusão bibliográfica e de novas tecnologias, reduz o custo econômico e financeiro da produção de livros e documentos. Outra decorrência é a possibilidade de aprofundar a cooperação entre as nações que falam o português – terceira língua ocidental mais falada no mundo, depois do inglês e do espanhol – aumentando o fluxo de livros e publicações em todas as áreas, além de favorecer a produção de materiais para a educação a distância. No caso do Brasil, a transição ortográfica será feita de forma gradual, substituindo-se, por exemplo, os materiais didáticos e dicionários à medida que for necessária sua reposição nas escolas da educação básica.

Histórico – O acordo ortográfico foi assinado por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em 1990 (o Timor Leste ingressou na comunidade após a independência da Indonésia), fruto de um trabalho desenvolvido pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia de Ciências de Lisboa, Portugal, desde 1980. O objetivo era colocá-lo em vigor em 1994 e mediante a ratificação de todos os membros. Como apenas o Brasil, Cabo Verde e Portugal ratificaram o documento, sua entrada em vigor está pendente há quase 15 anos. Em julho de 2004, os chefes de estado e de governo da CPLP, reunidos em São Tomé e Príncipe, aprovaram o 2º Protocolo Modificativo que altera a cláusula de vigência do acordo ortográfico. Em lugar de ratificação de todos os países, basta a ratificação de três membros para que vigore, mesmo procedimento já aplicado nos demais acordos firmados no âmbito da CPLP.
publicado por João Manuel Maia Alves às 18:40
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