Quinta-feira, 30 de Junho de 2005

Ámen e amém

A palavra “ámen” vem do hebraico “amén” através do latim “amen”. Significa total concordância com uma matéria de fé. Assim, quando alguém diz a oração chamada “Pai-nosso”, a palavra “ámen” no fim significa que a pessoa está plenamente de acordo.

“Ámen” também se usa para indicar “acordo”, “anuência” em geral, como por exemplo, na frase “ele não faz nada sem o ámen da família”.

“Dizer ámen a” significa “estar de acordo com”; pode exemplificar-se com “ele diz ámen a tudo o que chefe decide”.

“Num ámen” ou “em menos dum ámen” siginficam “num instante”, como na frase “ele comeu a sopa em menos dum ámen”.

“Ámen” tem uma variante – “amém”. Tanto se pode usar uma forma como outra. As duas formas são grafias alternativas. Já vimos que há dezenas de palavras com grafias alternativas – “bêbado” e “bêbedo”, “rotura” e “ruptura” são outros exemplos.

Quem usar a pronúncia com acento tónico na primeira sílaba, usa a grafia “ámen”. Quem usar a pronúncia com o acento na última sílaba, escreve “amém”.

Em próxima artigo ligaremos a dupla “ámen”/”amém” à questão, que temos vindo a tratar, das sequências em que a primeira consoante umas vezes se pronuncia e outras não.


Este artigo foi escrito por João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:30
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2005

Sequências variáveis (5)

Continuemos a falar das sequências “cc” (segundo “c” com som “ç”), “pc” (segundo “c” com som “ç”), “ct”, “cç”, “pç” e “pt” em que a primeira consoante umas vezes se pronuncia outras não.

O acordo ortográfico estabelece que em tais sequências a primeira letra se pode manter ou eliminar. Vamos exemplificar a aplicação desta regra.

O cê de “cacto” não se pronuncia em Portugal, ao contrário do que sucede no Brasil. Então existirão as duas ortografias “cato” e “cacto”. No Brasil escrever-se-á “cacto”. Em Portugal escreveremos “cato”. Em “aspecto” o cê é mudo em Portugal; no Brasil umas vezes pronuncia-se e outras não. Então haverá as ortografias “aspeto” e “aspecto”. A primeira será usada em Portugal; ambas se usarão no Brasil. Haverá assim ortografias duplas para estas sequências com oscilações de pronúncia – cato/cacto, aspeto/aspecto, fato/facto, receção/recepção, excecional/excepcional, etc.

A nota explicativa do acordo diz que os dicionários registarão estas ortografias duplas, além de esclarecer sobre o alcance geográfico e social da oscilação de pronúncia.

No passado fez-se muito barulho sobre estas disposições – desnecessária e injustificadamente, na minha opinião. Havemos de examinar as críticas em futuros artigos.



Artigo escrito por João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 15:48
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Terça-feira, 14 de Junho de 2005

Sequências variáveis (4)

Continuemos a falar das sequências “cc” (segundo “c” com som “ç”), “pc” (segundo “c” com som “ç”), “ct”, “cç”, “pç” e “pt” em que a primeira consoante umas vezes se pronuncia outras não.

--- Diferenças entre Portugal e Brasil ---

Há palavras com as sequências em causa em que a primeira consoante não se pronuncia em Portugal e o contrário sucede no Brasil. São exemplos “acepção”, “recepção”, “concepção” e “cacto”.

Noutras palavras a primeira consoante é muda em Portugal, mas umas vezes lê-se no Brasil e outras não. São exemplos “excepcional”, “infecção” e “aspecto”. No Brasil a estas variações de pronúncia correspondem ortografias duplas – “aspeto” e “aspecto”, por exemplo.

Existem casos em que a primeira letra se pronuncia em Portugal e em que ora se pronuncia, ora é muda no Brasil. Serve de exemplo “secção”.

O mais habitual nestas sequências variáveis é uma consoante ser muda em Portugal e pronunciar-se, sempre ou às vezes, no Brasil, mas existe uma excepção bem conhecida – “facto”, que no Brasil se diz “fato”.

Que é que o acordo estabelece quanto à ortografia destas sequências variáveis? Veremos em próximo artigo, mas deve notar-se para já o seguinte. Há pessoas que pensam que em vez de “facto” vamos passar a escrever “fato”. Conheci um director de jornal, o Dr. Fausto Lopo de Carvalho, uma pessoa culta com livros publicados, que acreditava em tal disparate. Foi a Drª Edite Estrela que lhe explicou que estava mal informado, para alívio do homem, que vivia angustiado e irritado com a ideia de escrever “fato” e dizer “facto”. De vez em quando, aparecem pessoas com pretensões a intelectuais a insistir no mesmo erro e a mostrar a sua revolta. Deviam estar revoltados mas era contra a sua ignorância e a exibição que dela fazem.


Artigo escrito por João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 19:03
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2005

Sequências variáveis (3)

Continuemos a falar das sequências “cc” (segundo “c” com som “ç”), “pc” (segundo “c” com som “ç”), “ct”, “cç”, “pç” e “pt” em que a primeira consoante umas vezes se pronuncia outras não.

---Variações em Portugal ---

É muito mais fácil saber as variações de pronúncia da primeira letra destas sequências no Brasil do que em Portugal. Vejamos porquê.

Se procurarmos num dicionário editado no Brasil a palavra “infecção”, ficamos a saber o que ela significa e que tem a variante “infeção”. Se procurarmos “infeção”, o dicionário simplesmente informa tratar-se duma variante de “infecção”. Ficamos assim a saber que no Brasil existem as pronúncias “infèkção” e “infèção”, sendo mais habitual a primeira.

Como no Brasil, as variações de pronúncia da primeira letra correspondem a ortografias duplas, os dicionaristas sabem há décadas exactamente que letras são lidas e os seus leitores são correctamente informados. Agora procure-se “artefacto” no dicionário da Porto Editora. Não dá qualquer indicação de pronúncia. Ficamos sem saber se o cê se lê sempre, se nunca se lê ou se se lê às vezes.

O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, conhecido como o dicionário da Academia, dá a pronúncia das palavras. Sem tirar o mérito a tal obra, merecem muitas reservas algumas pronúncias fornecidas. Dá quase sempre uma só pronúncia para cada palavra, a qual correspondente à usada por pessoas cultas de Lisboa e centro do país, como se Portugal só constasse de Lisboa e Coimbra.

O Dicionário da Academia dá para “intersecção” a pronúncia “intersèkção”, que eu nunca ouvi. Para “jacto” dá a pronúncia “jakto”. A verdade é que muita gente diz “jato”. Mesmo tomando Lisboa e Coimbra por modelo, estas pronúncias merecem muitas reservas.

A Dra. Edite Estrela diz ter dúvidas sobre as pronúncias usadas em Portugal para muitas palavras com as sequências em causa.

Com as devidas reservas aqui vão algumas palavras na ortografia portuguesa actual em que o cê da sequência “ct” umas vezes se pronuncia em Portugal e outras não: jacto, espectador, caracteres, característico, dactilografia. Para outras sequências não me ocorrem variações em Portugal.


Artigo escrito por João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:36
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2005

Sequências variáveis (2)

Continuemos a falar das sequências “cc” (segundo “c” com som “ç”), “pc” (segundo “c” com som “ç”), “ct”, “cç”, “pç” e “pt” em que a primeira letra umas vezes se pronuncia e outras não.

As variacões de pronúncia dão-se dentro do mesmo país e de país para país.

As análises efectuadas incidem entre as pronúncias de Portugal e Brasil. Tal não se deve a menos consideração por outros países, mas por falta de elementos seguros. No entanto, pode-se dizer que, duma maneira geral, o que é verdadeiro nesta matéria para Portugal aplica-se aos países africanos de língua portuguesa e a Timor.

---Variações no Brasil ---

A palavra que em Portugal escrevemos “aspecto” tem duas pronúncias no Brasil – “aspekto” e “aspeto”. A primeira pronúncia é a mais habitual. Em livros editados no Brasil podemos encontrar as grafias “aspecto” e “aspeto”. No Brasil existem ortografias duplas para estas sequências variáveis. Não se trata de nada que nos deva espantar porque em Portugal temos dezenas de ortografias duplas – “cociente” e “quociente” são exemplos.

Outros exemplos de variações no Brasil são: “infecção” e “infeção, “excepcional” e “excecional”, “contato” e “contacto”, “tato” e “tacto”, “teto” e “tecto”, “seção” e “secção”, “facção” e “fação”, “dicção” e “dição”, “caracteres” e “carateres”, “característica” e “caraterística”. A primeira ortografia de cada um dos pares corresponde à pronúncia mais habitual no Brasil.

No Brasil existem “excepcional” e “excecional”, sendo mais habitual a primeira grafia. “Excepção” é grafia inexistente. Só “exceção” – lido “excèção” - se encontra.

A palavra “seção” – pronunciada “sèção” – não deve supreender. Pertence à família da palavra que em Portugal escrevemos “intersecção” e pronunciamos “intersèção”.
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:32
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