Quinta-feira, 26 de Maio de 2005

Sequências variáveis

Já vimos o tratamento que o acordo ortográfico dá às sequências “cc”, “cç”, “ct”, “pç” e “pt” em que a primeira letra não se pronuncia em nenhuma pronúncia culta da língua. Nesses casos a primeira letra não se escreve. Assim, em Portugal passaremos a escrever “afecto” em vez de “afeto”. Para os brasileiros não haverá alteração, pois não escrevem essas consoantes mudas há mais de setenta anos.

Em antigos anteriores mostrámos que não existe qualquer razão para manter essas consoantes que não se pronunciam. Em muitos casos a consoante é completamente tola. É o caso do cê de “acto”. Não faz falta à pronúncia. Não se justifica por razões etimológicas ou de origem da palavra – não é verdade que se eliminou o cê de “aflicto”? O cê de “acto” existe por coerência com “actuar” e “actuação”, mas haverá alguma mais tola que o cê destas palavras, que nem se pronuncia nem abre a vogal colocada antes? Só por caturrice é que alguém medianamente informado defende o cê de “acto”, mas caturras, ilustres ou não, é coisa que não falta em questões de ortografia.

A questão é mais complicada quando a primeira letra das referidas sequências umas vezes se lê e outras não, caso em que falamos de “sequências variáveis”. Veremos em próximos artigos como o acordo resolveu esta questão.
publicado por João Manuel Maia Alves às 17:41
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2005

Vírgulas (2)

Vamos supor que um jornal publica a seguinte notícia: O director da Companhia dos Sabonetes Perfumados, Dr. Florêncio Gaudêncio, visitou a semana passada a cidade de Abrantes. Pergunta-se: o nome do director deve ou não ficar entre parêntese? Veremos em próximo artigo.

Era assim que terminava um artigo recente.

Se a companhia só tem um director, então o seu nome deve estar entre vírgulas. As palavras “Dr. Florêncio Gaudêncio” têm uma função explicativa ou informativa – acrescentam como se chama o único director da companhia. Poderiam ser omitidas sem daí resultar qualquer confusão.

Se há na Companhia dos Sabonetes Perfumados mais de um director, então é incorrecto colocar o nome “Dr. Florêncio Gaudêncio” entre vírgulas. Neste caso o nome serve para esclarecer a que director nos referimos e não pode ser omitido. As vírgulas teriam justificação se mencionássemos a área do Dr. Gaudêncio. Se ele, por exemplo, fosse director comercial, então a frase ficaria assim: O director comercial da Companhia dos Sabonetes Perfumados, Dr. Florêncio Gaudêncio, visitou a semana passada a cidade de Abrantes.

Estas regras são muito simples e lógicas. No entanto, são frequentemente violadas em publicações de importantes organizações.
publicado por João Manuel Maia Alves às 10:20
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2005

Ortografias duplas

Este artigo é necessário à compreensão de assuntos a tratar no futuro.

Em português há muitas palavras com ortografia dupla. Vamos dar alguns exemplos.

-- Mudança da sílaba tónica --

Oceânia/Oceania

-- Acrescentamento de letras --

xale/xaile, abdome/abdómen

-- Alternância de letras --

bêbedo/ bêbado, terremoto/terramoto, rotura/ruptura, oiro/ouro, quociente/cociente.

O leitor poderá encontrar uma lista bastante completa de ortografias duplas no livro “Saber Escrever Saber Falar”, da autoria de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão. Esta obra mostra que há dezenas de palavras com ortografia dupla, o que, provavelmente, constitui uma surpresa para o leitor.
publicado por João Manuel Maia Alves às 18:26
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2005

Vírgulas

O treinador do Chelsea, que é português, tem menos de cinquenta anos.

O treinador do Chelsea que é português tem menos de cinquenta anos.

Reparemos na primeira frase. Diz-nos duas coisas: 1) o treinador do Chelsea tem menos de cinquenta anos e 2) é português. Se retirarmos as palavras entre vírgulas, a frase faz sentido. Sabemos de quem se fala. Somos informados da sua idade. As palavras entre
vírgulas acrescentam uma informação suplementar – a de que o treinador é português. Quando se lê a frase em voz alta, em cada vírgula faz-se uma pequena pausa e a voz sobe ou desce um pouco.

Estará errada a segunda frase? Está. Poderia estar certa se o clube tivesse mais de um treinador e um deles fosse português. Talvez o clube tivesse três treinadores – um russo, um alemão e um português – e quiséssemos informar sobre aquele que é português. Neste caso não se podem tirar as palavras “que é português”. Elas são necessárias para identificar de que treinador falamos. As palavras “o treinador do Chelsea que é português“ formam um todo, lêem-se sem qualquer pausa e, por isso, não têm qualquer vírgula no meio.

Vamos supor que um jornal publica a seguinte notícia: O director da Companhia dos Sabonetes Perfumados, Dr. Florêncio Gaudêncio, visitou a semana passada a cidade de Abrantes. Pergunta-se: o nome do director deve ou não ficar entre parêntese? Veremos em próximo artigo.

Vemos por aí muita vírgula mal colocada. Este assunto merece ser tratado. Não precisa de ser apresentado como um bicho de sete cabeças. Não é muito complicado.
publicado por João Manuel Maia Alves às 20:14
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