Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2005

Rescaldo

Durante o verão ouve-se frequentemente dizer que os bombeiros já dominaram um incêndio e que se entregam a “operações de rescaldo”. O que são exactamente estas operações?

A palavra “rescaldo” tem vários significados. Da sétima edição do dicionário de português da Porto Editora retiramos os seguntes:

1) borralho ou cinzas ainda com brasas após um incêndio
2) trabalho preventivo para evitar que se inflamem de novo os restos dum incêndio recente
3) cinza ou lava de vulcão.

A palavra “rescaldo” também se usa em sentido figurado para designar a parte final dum acontecimente ou o período que se lhe segue enquanto se manifestam os seus efeitos, saldo, resultado, como, na seguinte frase: As Nações Unidas foram criadas no rescaldo da segunda guerra mundial.

Comentaristas de futebol usam com frequência a palavra “rescaldo”, felizmente em sentido figurado, porque, embora o futebol acenda muitas paixões e muitos dos seus dirigentes façam declarações incendiárias, os fogos ateados não queimam fisicamente. Frases como “vamos ao rescaldo do jogo” ouvem-se e lêem-se constantemente.
publicado por João Manuel Maia Alves às 09:24
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2005

Eliminação de consoantes mudas (1)

Já vimos que o acordo ortográfico elimina os cês e o pês que são mudos em qualquer pronúncia culta da língua. Para dar dois exemplos, passaremos a escrever “fatura” e “batizar” em vez de “factura” e “baptizar”.

Marcelo Caetano preparava-se para eliminar estes cês e pês que não pronunciam. Para isso já dispunha de parecer favorável de reputados linguístas. Recorde-se que Marcelo praticamente acabou com o acento grave. O 25 de Abril impediu que ele tivesse tempo para levar avante o seu projecto de eliminação de consoantes mudas.

O acordo ortográfico que aguarda ratificação e entrada em vigor foi elaborado por uma comissão de especialistas com origem nos então sete países de língua oficial portuguesa. Salvo erro, estavam presentes um brasileiro – António Houaiss - e dezanove portugueses e africanos. Da parte de Portugal participaram grandes linguístas como o Prof. Lindley Cintra e o Prof. Malaca Casteleiro, que foram tratados abaixo de cão por muitos intelectuais portugueses que se portaram como homenzitos. Infelizmente, no meio de grandes polémicas homens que pensaríamos superiores acusam muitas vezes os seus adversários das maiores infâmias. Existem numerosos exemplo ao longo da história.

Em quaisquer negociações há discussão de problemas e procura das melhores soluções. Pode ter que haver cedências mútuas não humilhantes. Foi assim com as reuniões que levaram ao texto do acordo ortográfico.

Parece que no início das reuniões o representante brasileiro disse que estava tudo em discussão excepto a questão das consoantes mudas. Realmente, alguém com dois dedos de testa acreditaria que os brasileiros depois de décadas a escrever “ata” ou “adotar” iam aceitar as grafias “acta” e “adoptar”?

Em próximo artigo continuaremos a examinar esta questão das consoantes mudas.
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:32
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005

Embaixadora ou embaixatriz?

A Drª Ana Gomes foi em anos recentes o representante do grau mais elevado de Portugal na Indonésia. Foi embaixadora na Indonésia. Se esse cargo tivesse sido desempenhado por um homem com quem a Drª Ana Gomes fosse casada, então ela teria sido embaixatriz na Indonésia.

Embaixador tem dois femininos – embaixadora e embaixatriz – com significados diferentes. Embaixadora designa mulher que exerce funções de embaixador, emissária, enviada, mensageira. Embaixatriz significa esposa de embaixador.

Como só recentemente o cargo de embaixador começou a ser desempenhado por mulheres, a palavra embaixadora parece estranha. No entanto, trata-se dum termo que já aparece num dos autos de Gil Vicente.

Se bem me lembro, uma pessoa dirigiu-se a um jornal e perguntou se a palavra embaixadora se devia ao acordo ortográfico.

O acordo ortográfico provoca em muitas pessoas, algumas de elevada cultura, as conclusões e dúvidas mais absurdas. O acordo ortográfico ainda não está em vigor. Por isso, não é responsável por qualquer nova palavra ou expressão. Ele simplesmente estabelece como as palavras se escrevem. Não altera o seu significado, o seu uso ou a sua pronúncia. Assim, depois de o acordo entrar em vigor passaremos a escrever adotar em vez de adoptar e seleção em vez de selecção, mas continuaremos a dizer adòtar e selèção.

O acordo ortográfico estabelece regras sobre a ortografia das palavras, isto é sobre o modo como se escrevem - só isso e nada mais.
publicado por João Manuel Maia Alves às 09:17
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