Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Reformas ortográficas

Nos anos à volta de 1990 surgiram as afirmações mais delirantes a propósito do acordo ortográfico. Assim muita gente mostrou-se chocada com a ideia duma mudança de ortografia. Parecia que era coisa que nunca tinha acontecido em parte nenhuma!

Reformas ortográficas não têm faltado na língua portuguesa. A última ocorreu nos anos 70 do século passado, quando no Brasil, em Portugal e nos territórios portugueses praticamente se aboliu o acento grave, tendo o Brasil também abolido o acento diferencial (por exemplo, “êste”, com acento, para distinguir de “este”, ponto cardial). A reforma anterior em Portugal é de 1945. Houve várias outras em Portugal e no Brasil, umas mais outras menos radicais. Soa por isso estranho que Freitas do Amaral tenha dito que a ortografia duma língua se estabelece longamente ao longo dos séculos. No que diz respeito ao português, tal afirmação é um tremendo disparate. Não tem sido só o português a mudar a ortografia.

Em espanhol houve várias reformas ortográficas. A de 1815 estabeleceu a ortografia actual usada por todos os países de língua espanhola – à roda de vinte.

O alemão teve recentemente uma reforma ortográfica e fala-se duma nova.

Por volta de 1900 a ortografia do holandês sofreu uma alteração radical.

O russo sofreu alterações ortográficas depois da revolução comunista.

Na Turquia Atarkuk impôs a substituição do alfabeto árabe pelo latino.

Depois de 1949 as autoridades chinesas impuseram a simplificação de caracteres.

No Japão depois da II Guerra Mundial o governo japonês impôs a eliminação de milhares de caracteres ideográficos por caracteres fonéticos.

Em 1986 o sistema de acentos do grego sofreu profunda alteração.

Muitos dirão que em inglês não há reformas ortográficas. De facto, houve um americano de nome Webster que propôs algumas mudanças. É, por isso, que os americanos escrevem “center” em vez de “centre” e “labor” em vez de “labour”. Não foi muito longe e as ortografias americana e inglesa só diferem nalgumas ortografias duplas. A ortografia do inglês quase não foi alterada ao longo de séculos. O resultado é que a ortografia do inglês tem muito pouco a ver com a pronúncia. Agora não dá para reformar e precisam de dois alfabetos – um para escrever as palavras e outro para saber a sua pronúncia. Alguém quer uma tal situação no português?

Pode haver muitas razões contra um acordo ortográfico, mas nunca porque na ortografia não se deve mexer. Já se mexeu – e bem – no passado. Alguém gostaria de voltar às ortografias “asthma” ou “physiologia”? Então por que razão não se há-de voltar a mexer quando necessário?

João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 11:55
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