Terça-feira, 9 de Maio de 2006

Apóstrofo

Vamos ver em que casos o acordo ortográfico estabelece o uso do apóstrofo.

Usa-se o apóstrofo em expressões como “d' Os Lusíadas”, “d' Os Sertões”; “n' Os Lusíadas”, “n' Os Sertões”, “pel' Os Lusíadas”, “pel' Os Sertões”. Numa expressão como “d' Os Lusíadas” a preposição “de” contrai-se com o conjunto “Os Lusíadas” e não somente com o artigo “Os”. Esta a justificação do apóstrofo nestes casos.

Nestas expressões pode-se usar as preposições sem eliminação de letras se o exigir razão especial de clareza, expressividade ou ênfase. Por outras palavras, as expressões referidas podem escrever-se “de Os Lusíadas”, “em Os Lusíadas”, “por Os Lusíadas”, etc.

Pode usar-se o apóstrofo em contracções ou aglutinações com formas que se escrevem com maiúscula por motivo de realce tais como “d'Ele”, “n'Ele”, “d'Aquele”,”n'Aquele”, ”d'O”, “n'O”, “pel'O”, “m'O”, “t'O”, “lh'O”, “d'Ela”, “n'Ela”, “d'Aquela” ,”n’Aquela”, “d'A”, “n'A”, “pel'A”, “m'A”, “t'A”, “lh'A”. O segundo elemento refere-se, conforme seja masculino ou feminino, a Deus, a Jesus. à mãe de Jesus, à Providência, etc. Exemplos de frases com este uso do apóstrofo: “confiamos n'O que nos salvou”; “esse milagre revelou-m'O”; “está n'Ela a nossa esperança”; “pugnemos pel' A que é nossa padroeira”.

Emprega-se o apóstrofo nas ligações de “santo” e “santa” a nomes de santos, quando importa representar a e1iminação das vogais finals “o” e “a”: “Sant´Ana”, “Sant'Iago”, etc. É, pois, correcto escrever “Ca1çada de Sant’Ana”, “Rua de Sant'Ana”; “culto de Sant'Iago”, “Ordem de Sant'Iago”. Mas, se as ligações deste género, como é o caso destas mesmas “Sant'Ana” e “Sant'Iago”, se tomam unidades perfeitas em que se perdeu a noção de composição, aglutinam-se os dois elementos: “Fulano de Santana”, “ilhéu de Santana”, “Santana de Parnaíba”; “Fulano de Santiago”,”ilha de Santiago”, “Santiago do Cacém”.

Em paralelo com a grafia “Sant'Ana” e semelhantes emprega-se também o apóstrofo nas ligações de duas formas nominais quando é necessário indicar que na primeira se elimina um “o” final: “Nun’Álvares”, “Pedr'Eanes”.

Note-se que nos casos referidos as escritas com apóstrofo, indicativas de eliminação de vogal, não impedem escritas sem apóstrofo: “Santa Ana”, “Nuno Álvares”, ”Pedro Álvares”, etc.


Emprega-se o apóstrofo para assinalar, no interior de certos compostos. a eliminação do “e” da preposição “de”, em combinação com substantivos:
“borda-d’água”, “cobra-d’água”, “copo-d'água”, “estrela-d'alva”,
“galinha-d'água”, “mãe-d'água”, “pau-d’água”, “pau-d'alho”,
“pau-d'arco”, “pau-d’óleo”.


João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 09:56
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