Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004

O que é o acordo ortográfico?

Do quando falamos quando nos referimos ao acordo ortográfico? Falamos dum acordo assinado em 1990 entre os sete países de língua oficial portuguesa de então estabelecendo normas ortográficas, ou seja regras de como escrever palavras.

O acordo ortográfico esteve em “banho-maria” durante vários anos, mas parece que se estão a criar condições para entrar em vigor.

Neste momento a língua portuguesa tem duas ortografias: a usada no Brasil e a dos restantes países de língua portuguesa. As reformas introduzidas no Brasil em 1973 reduziram bastante as diferenças entre as duas ortografias, mas persistem importantes divergências.

Vejamos quais as principais alterações que o acordo introduzirá.

- Em Portugal, países africanos de língua oficial portuguesa e Timor

Eliminação do c e do p não pronunciados em palavras como director, acção, protecção, baptismo, adoptar e decepção, as quais passam a escrever-se diretor, ação, proteção, batismo, adotar e deceção. Parece que Marcelo Caetano se preparava para eliminar estas consoantes mudas quando a revolução do 25 de Abril pôs termo à sua governação.

- No Brasil

Desaparece o trema. Em Portugal escreve-se aguentar, arguido, frequente e tranquilo. No Brasil estas palavras escrevem-se agüentar, argüido, freqüente e tranqüilo. O trema é colocado sobre o u para indicar que esta letra é pronunciada. Em Portugal o trema não se usa desde 1945.

O ditongo ei em palavras graves nunca é acentuado graficamente. Por isso, deixa-se de usar acento em palavras como assembléia e idéia. Actualmente tais palavras não levam acento em Portugal.

-Em todos os países

É simplificado e reduzido o emprego do hífen

O ditongo oi em palavras graves não leva acento. Por isso, desaparece o acento em palavras como bóia, cóio e heróico.

Em próximos artigos continuaremos a falar deste acordo.
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:21
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1 comentário:
De João Carlos Reis a 18 de Junho de 2015 às 07:18
Prezado João,
pois... é tudo muito bonito, mas esqueceu-se de mencionar outras principais alterações que o acordo introduzirá:

- enquanto que antes existiam duas ortografias oficiais, agora este aborto preconiza que hajam ortografias à «vontade do freguês»;
- num tempo em que a Excelência, a Qualidade, a Exigência e o Conhecimento nos são “impostos” (com e sem aspas) em todas as áreas da nossa vida, apenas e só o Idioma com que nos comunicamos não é abrangido por estes atributos, o que leva a que este aborto nivele por baixo o Idioma Português (sim, com iniciais maiúsculas para o Engrandecer, Enobrecer e Prestigiar, como preconiza o Formulário Ortográfico de 1943 no 6º ponto da sua Base XVI, bem como o Acordo Ortográfico de 1945 na sua Base XLII e não com reducentes iniciais minúsculas como defende o acordo de 1990 para a desprestigiar e nivelar por baixo);
- como é historicamente sabido e comprovado, o facto de retirar acriticamente as consoantes ditas não pronunciadas vai fazer com que a esmagadora maioria dessas palavras vejam a sua fonética alterada;
- não só, mas também, o facto de se retirarem acentos acriticamente já fez e continuará a fazer com que a esmagadora maioria dessas palavras vejam a sua fonética alterada, além de empobrecer (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=563617) o Idioma e fará com que muitas frases deixem de ser ser grafadas/utilizadas, de que, entre outros(as), o provérbio «Alto e para o baile..» ou a sentença «Ninguém para Portugal» são exemplos paradigmáticos;
- ao tornar regra o que antes era excepção, a dupla grafia, vai, entre outras coisas, dificultar a aprendizagem do Português por parte dos estrangeiros;
- apesar de se afirmar unificador, este aborto vem fazer com que vocábulos que antes se grafavam de forma igual agora sejam escritos de maneira divergente...

Muito mais haveria para escrever, como os argumentos infantis, as contradições e incoerências, mas nada disto é politicamente correcto nem convém dizer, quanto mais escrever...


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