Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005

Esdrúxulas reais e aparentes

O ultimo artigo fala de esdrúxulas reais e aparentes? Quando é que uma palavra é uma esdrúxula real? Quando é que é uma esdrúxula aparente?

Uma esdrúxula aparente termina com um ditongo crescente. Um ditongo é um conjunto de duas vogais que se pronunciam numa única emissão de voz, como, por exemplo “ói” em “dói” e “ão” em “mão”. Ditongos descrescentes são aqueles em que a primeira vogal é mais saliente que a segunda. Serve de exemplo “oi” “em moita”. Nos ditongos crescentes sucede o contrário – a segunda vogal sobressai relativamente à primeira.

O acordo ortográfico dá na sua Base XI vários exemplos de palavras esdrúxulas aparentes, isto é terminadas em ditongos crescentes: álea, náusea, etéreo, níveo, enciclopédia, glória, barbárie, série, lírio, prélio, mágoa, nódoa, exíguo, língua, vácuo, amêndoa, argênteo, côdea, Islândia, Mântua, serôdio, Amazónia, António, blasfémia, fêmea, gémeo, génio, ténue. Reparemos numa delas – “génio”, por exemplo. Se “io” é um ditongo, pronuncia-se numa só emissão de voz – caso contrário não era ditongo. Então “nio” é uma sílaba e a palavra é grave, não esdrúxula, e não deve levar acento. Na realidade, considera-se “nio” formado de duas sílabas: ni-o. Daqui resulta que “génio” é esdrúxula – esdrúxula aparente, mas esdrúxula e, sendo esdrúxula, necessita de acento.

Em português para a divisão de sílabas um ditongo crescente é dividido. “Domínio”, por exemplo, tem as sílabas “do-mí-ni-o”, o que faz da palavra uma esdrúxula. Um ditongo crescente é ditongo e não é. É ditongo na pronúncia. Não é ditongo para a divisão silábica. É e não é. Confuso? Bastante, mas é como é e não tem conserto.

Esdrúxulas reais são palavras que não são esdrúxulas aparentes, como, por exemplo , “matemática”, que tem a divisão silábica “ma-te-má-ti-ca”.

Em espanhol o ditongo crescente é tratado com muito mais lógica. Não é partido ao meio na divisão silábica. Por isso, não necessitam de acento palavras como “Antonio”, que tem o acento tónico na sílaba “to”. “Antonio” em espanhol é uma palavra grave. A palavra espanhola “policía” precisa de acento porque o acento tónico cai sobre o último “i”.

Se seguíssemos as regras do espanhol em relação a este assunto dos ditongos crescentes teríamos várias vantagens. Diga-se, aliás, que os espanhóis souberam tomar a tempo medidas quanto à ortografia de se lhes tirar o “sombrero” (chapéu em espanhol para quem não saiba). Se nós tivéssemos feito o mesmo no tempo oportuno teríamos evitado muitos problemas. Veremos isso em próximo artigo.

João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 20:43
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. Convite

. Acordos de 1990 e 1945

. Boas notícias

. Notícias do acordo ortogr...

. Ortografia – uma convençã...

. Reformas ortográficas

. São Tomé e Príncipe ratif...

. Contracções incorrectas

. Guiné-Bissau e Acordo Ort...

. Cimeira e acordo ortográf...

.arquivos

. Maio 2010

. Março 2008

. Novembro 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds