Terça-feira, 12 de Julho de 2005

Sequências variáveis (7)

Em artigos anteriores temos vindo a falar das sequências “cc” (segundo “c” com som “ç”), “pc” (segundo “c” com som “ç”), “ct”, “cç”, “pç” e “pt” em que a primeira consoante umas vezes se pronuncia outras não. O essencial já foi dito. Acrescentemos só mais dois pontos.

“Facto” como se escreverá de futuro? Andaram para aí os profetas da desgraça a dizer que se escreveria “fato”. Isto é um disparate. Em Portugal pronunciamos “fakto”, logo escreveremos “facto”. Os brasileiros não pronunciam o cê, logo não o escreverão. É exactamente o contrário do que acontecerá com “cacto”, em que o que o cê se pronuncia lá e é mudo cá. Por isso, se escreverá “cacto” no Brasil e “cato” em Portugal.

O desaparecimento dum pê obriga um eme anterior a passar a ene. Assi, por exemplo, a ortografia variante de “peremptório” é “perentório”.

Existem outras sequências de duas consoantes em que a primeira umas vezes se lê e outras não. Como era de esperar, o acordo ortográfico estabelece ortografias duplas para estes casos. Vejamos quais são estas sequências e apresentemos exemplos de cada uma delas:

-- Sequência “bd”: “súbdito” e “súdito”

-- Sequência “bt”: “subtil” e “sutil”

-- Sequência “gd: “amígdala” e “amídala”

-- Sequência “mn”: “omnipotente” e “onipotente”, “amnistia” e “anistia”, “indemnização" e “indenização”

-- Sequência “tm”: “aritmética” e “arimética”

Em todos os exemplos apontados a primeira consoante pronuncia-se em Portugal, mas no passado nem sempre assim foi.

Como se sabe, há na língua portuguesa palavras que vieram do latim por via culta e outras que recebemos por via popular. São exemplos“herbanário” e “ervanário”.

As palavras destas sequências sem a primeira consoante, ou muitas delas, são mais antigas e introduziram-se em Portugal por via popular. Encontram-se em escritores dos séculos XVI e XVII. Não há razão para afirmar que há nestas sequências ortografias mais correctas que outras. Seria como escolher o mais correcto entre “ervanário” e “herbanário”. Existem ortografias que variam de uso com o país, o que é uma coisa diferente.



Artigo escrito por João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 15:22
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