Quarta-feira, 6 de Julho de 2005

Sequências variáveis (6)

Continuemos a falar das sequências “cc” (segundo “c” com som “ç”), “pc” (segundo “c” com som “ç”), “ct”, “cç”, “pç” e “pt” em que a primeira consoante umas vezes se pronuncia outras não.

O acordo ortográfico estabelece para estas sequências ortografias duplas. Assim por exemplo, teremos as ortografias “aspeto” e “aspecto”. A primeira será usada por quem não pronuncia o cê, o que é o caso dos portugueses e de muitos brasileiros. A segunda será utilizada por quem pronuncia o cê, o que se passa com a maioria dos brasileiros.

Esta regra do acordo irrita muita gente que não gosta de ortografias duplas. O Prof Freitas do Amaral perguntou onde estava a unificação.

O que se rebelam contra as ortografias duplas resultantes do acordo não reparam que já existem dezenas – dezenas, repito – de ortografias duplas. São exemplos “ámen” e “amém”, de que falámos no último artigo. “Cálix” (pronunciado “cális”) e “cálice”, “bêbado” e “bêbedo”, “rotura” e “ruptura” são outros. O acordo ortográfico acrescenta um pequeno número de grafias duplas às dezenas que já existem.

Quanto à unificação, preocupação de Freitas do Amaral, não está escrito em nenhuma parte do acordo ortográfico que ele visa uma total uniformização. Aliás, ela já não existe hoje.

Por que razão “aspecto” se escreve em Portugal com um cê. Por vir do latim “aspectu”? Não, porque, se fôssemos atender à ortografia, então teríamos de escrever “aflicto” e “diccionário”. Por causa da pronúncia? Também não. Por coerência com algum derivado em que o cê se justificaria – recordemos “reto” e “rectângulo”? Não, porque não tem derivados. A razão é que no Brasil existem pessoas que dizem “aspekto”.

Teria alguma lógica abolir aquelas consoantes que nunca se lêem – o que já devia ter acontecido há muito - e manter sempre aquelas que se pronunciam algumas vezes e outras não? Nenhuma. Obrigaria a ser enciclopédico. Faz lembrar o tempo em que “toda” se escrevia “tôda” porque existe “toda” com “o” aberto para designar um pássaro da América do Sul.


Artigo escrito por João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 18:16
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